I. Bibliologia
1. A origem e a estrutura da Bíblia
1.1 A bíblia foi escrita por cerca de 40 pessoas, num período de 1600 anos. Originalmente o Antigo Testamento foi escrito em Hebraico (poucas partes em aramaico) e o novo testamento em Grego;
1.2 Atualmente não existe nenhum manuscrito original da Bíblia. Existem cópias que se harmonizam admiravelmente (Ex.: manuscritos do Mar morto, 1947);
1.3 A primeira tradução da Bíblia foi feita em 285 a.C do hebraico para o grego (a setuaginta). Em 405 d.C. Jerônimo traduziu do Hebraico para o Latim. A primeira tradução da Bíblia para a Língua Portuguesa foi feita pelo Pastor João Ferreira D’Almeida a partir de 1681 (a tradução completa foi feita após a sua morte, em 1753 – ele morreu em 1691);
1.4 As duas principais divisões da Bíblia são: Antigo e Novo Testamento. Em cada uma delas os livros estão distribuídos não cronologicamente e sim por assunto (história, devoção e profecia). Foi dividida em 1189 capítulos (929 no A.T. E 260 no N.T.) no ano de 1250 d.C. no ano de 1445 d.C o A.T foi dividido em 23.214 versículos. No ano de 1551 o N.T. foi dividido em 7.959 versículos (total: 31.173).
2. Nossa crença a respeito da Bíblia
2.1 Ela é totalmente inspirado por Deus – Deus não apenas inspirou as ideias que ele contém, mas até as palavras que o escritor utilizou;
2.2 Ela não apenas contém a Palavra de Deus, mas ela é a Palavra de Deus. Como tal, ela não contém nenhum erro. Se, no lidar com ela, algum erro surgir, será por má interpretação, má tradução ou falsa aplicação;
2.3 Ela é, para os verdadeiros cristãos, a máxima autoridade em matéria de fé e conduta;
2.4 A bíblia é palavra de Deus escrita. Jesus é a palavra de Deus encarnada.
Nota: no Concílio de Trento (1546) a igreja Católica Romana, acrescentou à Bíblia livros que nós chamamos de “Apócrifos” ou espúrios.
3. Por que cremos que a Bíblia é a Palavra de Deus
3.1 Pela unicidade de sua mensagem. Tendo sido escrita num espaço de 16 séculos e por dezenas de escritores, é um milagre que não contenha contradições e que a mensagem que permeia todos os seus livros seja uma só;
3.2 Porque ela reivindica para si esta prerrogativa (II Pe 1.21; II Tm 3.16);
3.3 Porque Jesus a aprovou como tal – Lc 4.16-21; Lc 24.27; Mt 4.3-11; Mc 7.13; Jo 17.17, etc;
3.4 Pela fidelidade no cumprimento de suas profecias – I Rs 13.2 (Cp II Rs 23.115-18); Dn Cap 2; Mt 24.5-7; etc;
3.5 Pelo efeito de sua mensagem em indivíduos, famílias e nações;
4. Aplicações práticas
Ver Ed 7.10 e seguir, rigorosamente, o exemplo daquele servo de Deus.
II. Teologia própria – Deus
1. A existência de Deus
1.1 A Bíblia não se detém em prová-la pois para ela isto é uma verdade básica – Gn 1.1; Hb 11.6;
1.2 O argumento ontológico – “se existe um Ser perfeito Ele tem que ser real”;
1.3 O argumento Cosmológico – “todos os eventos que presenciamos, dependem de uma causa além deles mesmo”;
1.4 O argumento Teológico ou do desígnio – “se tudo tem uma utilidade, Alguém fez o plano geral”;
1.5 O argumento moral – “alguém inspira os valores morais que todo ser humano possui”.
2. Os atributos naturais de Deus
2.1 Absolutos (o que Deus é em Si próprio)
Deus é Espírito (Jo 4.24), infinito (I Re 8.27), Eterno (Ex 15.18; dt 33.27; Ne 5.5, etc), único (Ex 20.3; Dt 4.35,39; I Tm 1.17);
2.2 Ativos (Deus em relação ao Universo)
Onipotência (Gn 1.1; 17.1; 18.14; Ex 15.7; Sl 115.3, etc), onisciência (Gn 18.18, 19; II Re 8.10, 13; II Tm 2.19), onipresença (Gn 28.15, 16; Dt 4.39; Sl 139.7-10), sabedoria (Sl 104.24; Pv 3.19; Jr 10.12), Soberania (Dn 4.35; Mt 20.15; Rm 9.21).
3. Atributos morais (o que Deus é em relação aos seres pessoais)
3.1 Santidade (Is 6.1-5), amor (I Jo 4.8; Jo 3.16), bondade (Sl 100.5; Mt 19.17), justiça (Sl 72.2; II Tm 4.8), fidelidade (II Tm 2.13);
4. O Deus Triuno
4.1 o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três pessoas distintas – Mt 3.16, 17; Jo 14.16,17;
4.2 O Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus, mas só há um Deus – Dt 6.4; Jo 10.31;
4.3 A pluralidade em unidade é tão perfeita que a ênfase sobre qualquer desses aspectos, em prejuízo do outro, dá origem a erro doutrinário:
a. Sabélio (268 d.C.): ênfase da unidade em prejuízo da pluralidade: o ser Supremo possui uma única personalidade que se manifesta de três modos (“máscaras”) diferentes;
b. Ário (325 d.C) : enfatizou de tal forma a distinção entre as três essências distintas. Esvaziou a divindade tanto de Cristo como do Espírito Santo.
5. Aplicação prática do que aprendemos hoje
5.1 Jamais orar “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”;
5.2 Cada crente pode manter sua identidade, ao mesmo tempo em que vive para ajudar aos outros – Jo 17.21,22; II Co 13.11-13, 4.16;
5.3 A obra de Deus neste mundo é realizada por pessoas interdependentes – I Co cap.12;
5.4 A nossa vida em comum pode e deve ser alegre e cheia de amor – Cl 3.12-17;
5.5 Memorizar para reforçar – Nm 6.24-26; Is 6.3; II Co 13.13.
III. Paracletologia: O Espírito Santo (Parácleto era um amigo e defensor nas culturas gregas e romanas)
1. O Espírito Santo como pessoa
1.1 Tem todos os atributos de um ser pessoal: vontade própria (At 15.7), inteligência (I Co 12.7), sensibilidade moral (Ef 4.30);
1.2 Pode-se mentir a Ele – At 5.3;
1.3 Fala – At 8.29; 13.2;
1.4 Ora – Rm 8.26.
2. O Espírito Santo como pessoa divina
2.1 Participou da criação de todas as coisas – Sl 33.6; Jó 33.4;
2.2 Atuou na restauração da Terra – Gn 1.2; Jó 26.13;
2.3 Atua na presença da criação – Sl 104.30;
3. O relacionamento do Espírito Santo com os homens
3.1 Está junto de cada pessoa humana – Sl 139.7;
3.2 Sem sua ação ninguém é salvo – Jo 16.7,8;
3.3 Está dentro dos salvos – Jo 14.7; Rm 8.9; I Co 6.19; I Tm 1.14;
3.4 Enche de poder os salvos que buscam uma experiência mais profunda – Jo 14.7; At 1.8; At 2.1-4.
4. O Espírito Santo no livro de Atos
4.1 O início de sua dispensação acionou a marcha da Igreja – At 24.49; At 1.4,5;
4.2 Passou a ministrar experiência inédita adicional à salvação – Lc 10.20; At 2.1-4;
4.3 Participa das decisões diárias da igreja – At 15.28;
4.4 Destaca obreiro para missões específicas – At 13.2;
4.5 Administra a obra evangelística – At 16.6-9;
4.6 Manifesta-se através dos dons – At 5.3-5; 19.6,11;
4.7 Dá a cada crente a plenitude de sua presença – At 2.4; 4.31.
5. Aplicação prática do que aprendemos hoje
5.1 Devemos buscar o batismo n’Ele e a sua plenitude continuamente – Lc 11.9-13; Ef 5.18;
5.2 Devemos buscar seus dons – I Co 14.1;
5.3 Nosso espírito precisa orar com Ele – I Co 14.2,14;
5.4 Nosso espírito precisa cantar com Ele – I Co 14.15;
5.5 Devemos deixarmo-nos guiar por Ele – Rm 8.14.
IV. Angeologia
1. A natureza dos anjos
1.1 Seres criados por Deus – Sl 148.2, 5; Cl 1.16;
1.2 Seres pessoais – Gn 19.1-3; Ex 23.20, 21; II Sm 14.17;
1.3 Seres espirituais – Hb 1.14;
1.4 Imortais – Lc 20.36;
1.5 Sem sexo – Mc 12.25.
2. O caráter dos anjos
2.1 Os anjos bons
a. São chamados de santos (Mc 8.38) e Eleitos (I Tm 5.21);
b. São obedientes (Sl 103.20) e reverentes (Ne 9.6);
2.2 Os anjos maus
a. São pecadores (II Pe 2.4) e rebeldes (Jd 6);
b. Há os que estão presos (Ap 9.1-11) e os que estão soltos (Mc 5.9-13).
3. A organização dos anjos
3.1 Os anjos bons: Serafins (Is 6.2), Querubins (Gn 3.24), o Arcanjo (I Ts 4.16; Jd 9), Anjos (Mt 25.31);
3.2 Os anjos maus: principados, potestades, príncipes das trevas, hostes espirituais da maldade (Ef 6.12).
4. Atividades dos anjos bons
4.1 Louvor, adoração, alegria e serviço para Deus – Sl 148.1, 2; Jó 38.6, 7; Sl 103.20;
4.2 Observam os homens – I Co 4.9; I Tm 5.21; I Co 11.10; Ec 5.6;
4.3 Ministram a favor dos crentes – Hb 1.14; Gl 3.18, 19; At 27.23, 24; 5.19; 12.5-7;
4.4 Cooperam com os ganhadores de almas – At 8.26; 10.3;
4.5 Assistem ao crente na hora da morte – Lc 16.22; Jd 9;
4.6 Sustentam – Mt 4.11; Lc 22.43; I Re 19.5;
4.7 Preservam – Gn 16.7; 24.7; Ex 23.20; Ap 7.1.
5. Satanás
5.1 Sua origem – Is 14.12-15; Ez 28.1-19;
5.2 Seus nomes e títulos: Diabo (Ef 6.11); Satanás (Zc 3.1); Dragão (Ap 12.9); Serpente (Ap 12.9); inimigo (Mt 13.39); Tentador (Mt 4.2); Acusador (Ap 12.10); ladrão (Jo 10.10); Deus deste mundo (II Co 4.4); maligno (Mt 13.9); Homicida (Jo 8.44); mentiroso (Jo 8.44); príncipe dos demônios (Mt 12.24; 9:34); Belzebu (Mt 10.25); Abadon/Apolion (Ap 9.11); Belial (II Co 6.15); príncipe das potestades do Ar (Ef 2.2); Pai da mentira (Jo 8.44).
5.3 Seu trabalho: Enfermidades (Lc 13.16); morte (Hb 2.14); sedução (I Cr 21.1); cegueira espiritual (II Co 4.4); induz à mentira (At 5.3); tenta tragar os santos (I Pe 5.8); arma ciladas (Ef 6.11); dará poder ao Anticristo (II Ts 2.9,10).
6. Os demônios
6.1 São anjos caídos – Ap 12.4; II Pe 2.4;
6.2 Irão à perdição e sabem disso – Mt 25.41; Mt 8.29, 31;
6.3 Podem habitar corpos humanos e animais – Lc .:3-33, Mc 5.2-5, 11-13;
6.4 São imundos – Mt 12.43-45; Mt 10.1; 8.28;
6.5 São malignos – At 1.13;
6.6 Produzem doenças – Mt 9.32, 33; 12.22 ;
6.7 Induzem ao suicídio – Mt 17.15;
6.8 Inspiram doutrinas falsas – I Tm 4.1.
7. Aplicação prática do que aprendemos hoje
7.1 Devemos ser gratos à Deus pela proteção provida pelos anjos – Sl 34.7;
7.2 Não devemos adorar aos anjos – Ap 19.10; 22.8, 9; Cl 2.18;
7.3 Só há dois anjos nomeados na Bíblia – Dn 9.21; 10.21;
7.4 Vencemos à satanás e aos demônios pelo nome de Jesus (Mc 16.17); pela palavra de Deus (Mt 4.3-10; 8.16); pela oração e jejum (Mt 17.21); pelo sangue de Jesus (Ap 12.11).
V. A doutrina sobre o pecado (Hamartiologia)
1. O que é pecado
1.1 É errar o alvo do grego Harmatia – é tomar na vida um rumo diferente daquele para o qual fomos criados – Sl 58.3;
1.2 É conduzirmo-nos, conhecendo ou não a Bíblia, de maneira diferente daquela que sabemos que Deus quer que nos conduzamos – Rm 1.18-25; 2.11, 12;
1.3 É transgredir (Hb 2.2; Rm 5.14), desobedecer (I Sm 15.23, Rm 5.19); cometer iniquidade (Rm 2.8; I Jo 5.17), cometer impiedade, ou seja, agir sem amor e devoção às coisas de Deus (Rm 1.18, Tt 2.12), ser justo (Rm 1.18).
2. A realidade do pecado
2.1 todos os seres humanos são pecadores (“o homem não é pecador porque peca, mas ele peca, porque é pecador”) – Rm 3.23; Sl 53.1;
2.2 Pecamos em pensamentos (Mt 5.27, 28), em ações (Ex 20.13-16) e por omissão (Tg 4.17);
3. O pecado: mau uso do livre arbítrio dado por Deus aos homens e aos anjos
3.1 os anjos foram criados antes dos seres humanos – Gn 3.23, 24;
3.2 Lúcifer um querubim decidiu rebelar-se contra Deus, logo, os anjos tem livre arbítrio – Is 14.12-15; 28.2, 11-14;
3.3 O homem, também criado por Deus e com livre arbítrio, decidiu rebelar-se – Gn 2.15-17; 3.6;
3.4 A condição de pecador é hereditária, daí porque todos são pecadores – Rm 5.12;
4. As consequências do pecado
4.1 Morte espiritual (separação de Deus) – Gn 2.17;
4.2 Sujeição ao diabo – II Pe 2.19;
4.3 Doenças espirituais, psicológicas e físicas, resultando em morte física – Lc 13.10-16; Pv 12.25; Sl 103.3;
4.4 A segunda morte – Ap 20.11-15;
4.5 Desgraças familiares – Gn 3.12; Gn 4.8, 9; II Sm cap 11-18;
4.6 Desgraças nacionais, que são somatório das desgraças individuais e familiares – Pv 14.34
5. Olhando a questão do pecado por outro ângulo
5.1 O fato de o homem ter pecado é a prova de que ele, realmente foi criado livre;
5.2 “Se Deus sabia que o homem iria pecar, porque o criou livre? Resposta: Graças a Deus porque Ele não me criou como um sapo nem débil mental”.
6. Aplicação prática do que aprendemos hoje
Se o pecado é tão terrível e eu conheço o único remédio para ele, devo não apenas usá-lo, mas, levar outros a conhecê-lo – Rm 1.16; Mt 10.8.
7. Textos bíblicos para reforço
Romanos 3:23, 6.23 combinados com Romanos 1.16.
VI. Eclesiologia: O ensino sobre a Igreja
1. O termo “Igreja” (palavra grega “Ekklesia” = uma assembleia de chamados para fora) aplica-se:
a. A todo o corpo de cristãos em uma cidade – At 11.22; 13.1;
b. A uma congregação – I Co 14.19;
c. A todo o corpo de salvos na terra – Ef 5.32.
2. No coração de Deus a igreja existe desde a eternidade (Ef 1.4; Ap 13.8) sendo fundada por Cristo no Calvário (II Co 5:19) e inaugurada no dia de pentecostes (At 2.1-4; 14-21).
3. A obra de qualquer igreja consiste em pregar a salvação (Mc 16.15), prover comunhão religiosa (Cl 3.12-17) e sustentar uma norma de conduta moral (Mt 5.13-16; I Tm 3.14,15).
4. Batismo (Mt 28.18,19) e ceia do Senhor (Lc 22.17-20) são ordenanças (não sacramentos) observadas pela igreja.
5. Aplicação prática do que aprendemos hoje
5.1 Quem frequenta esta igreja e ainda não se submeteu ao batismo, deve preparar-se e submeter-se a ele (Mc 16.16) – o batismo não salva, mas a falta dele por desobediência, pode comprometer a salvação;
5.2 É necessário que cada membro da igreja integre-se a ela, o mais que puder, inclusive participando de suas reuniões (Hb 10.25);
5.3 Não percamos de vista o fato de que, como uma congregação local, somos uma parte da igreja. Procuremos então, colaborar com as outras igrejas no cumprimento da missão que é de todos (At 11.19-26).
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