Brasília, 5 de julho de 1998.
Até os ateus tem fé. Todo mundo sabe que eles, muitas vezes, deixam escapar um “Se Deus quiser” ou um “Graças a Deus”. Sem contar que em horas de aperto, principalmente de perigo de morte, eles apelam para Deus mesmo.
Todas as pessoas, inclusive os ateus, tem uma coisa chamada “fé natural”. É aquela fé que faz com que uma pessoa enterre sementes no chão sem saber como é que a germinação funciona, privando-se dos grãos que poderiam satisfazer sua fome, na certeza de que eles vão nascer, crescer e frutificar. É a mesma fé que dá coragem a alguém para tomar um avião, na certeza de que aquele monstro de metal vai elevar-se do solo, deslocar-se pelo céu e pousar exatamente no local para onde deseja ir.
Agora, existe a fé espiritual, a confiança em Deus. Ter fé em Deus é mais do que crer na existência d’Ele: é confiar n’Ele. Essa fé tanto mais genuína e forte quando maior for o conhecimento que se tem de Deus. Quanto mais você conhece a Deus, mais você confia n’Ele. É por isso que a Bíblia afirma: “A fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus”. (Rm 10.17).
Fé é alguma coisa que nasce em nosso coração e pode estacionar, diminuir ou aumentar. Se ela não for alimentada, incentivada e exercitada, a tendência é diminuir e até morrer. A genuína fé alimenta-se exclusivamente de uma coisa: a Palavra de Deus. O exercício da fé se faz na vida prática, diante de necessidades da Obra do Senhor ou diante de necessidades pessoais de alguém que se relacionou conscientemente com Deus.
Quanto o incentivo à fé, ele pode ocorrer de muitas maneiras. Por exemplo, quando Jesus fez lodo e pôs nos olhos de um cego de nascença, ele estava se utilizando daquilo para incentivar a fé daquele pobre homem. Jesus mesmo não necessitava de lodo para curar o cego, mas o cego necessitava o interesse de Jesus por ele; era a lembrança de que Jesus havia tocado nele.
Longe de ser um caso isolado, o lodo nos olhos do cego é um entre muitíssimos casos de incentivos à fé, contidos na Bíblia. É lícito que utilizemos, ainda hoje, recursos para incentivar a fé das pessoas. Mas é necessário que observemos o seguinte: PRIMEIRO, em nenhum dos casos citados na Bíblia, se atribui virtude aos elementos materiais. A virtude veio de Deus e não das coisas. A Bíblia não dá respaldo ao uso de objetos mágicos por parte de ninguém. SEGUNDO, em nenhum dos casos registrados na Bíblia alguém vendeu os elementos utilizados no reforço à fé. Os apóstolos não vendiam “lodo santo” para curar cegueira. TERCEIRO, por trás do uso de cada um dos objetos utilizados para reforçar a fé de alguém, havia uma lição a aprender. As coisas não eram utilizadas assim, sem mais nem menos. Elas simbolizavam alguma coisa.
Enfim, a fé em Deus deve sempre ser alimentada, estimulada e exercitada. Por outro lado, a fé precisa ser protegida contra todo o tipo de distorção. Sempre. Como fez o apóstolo Paulo que, ao final de sua carreira pôde dizer: “Guardei a fé” (II Tm 4.7).
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