Brasília, 26 de junho de 2011.
Quanto mais uma pessoa é identificada com as coisas do espírito, mais difícil fica entendê-la. Parece paradoxal, mas é isso o que a Bíblia diz em Rm 2.15: “quem é espiritual discerne todas as coisas, e ele mesmo por ninguém é discernido”. Isso fica claro quando observamos a vida de alguns personagens bíblicos.
Davi é um bom exemplo do que se pode chamar de “pessoa identificada com as coisas do espírito”. E como esse homem teve atitudes desconcertantes para nós! Saul o perseguia “como alguém que sai à caça de um perdiz pelos montes” (I Sm 26.20). Quando Abisai, seu leal amigo, teve a oportunidade de exterminar àquele inimigo feroz, Davi o refreou argumentando: “Quem pode levantar a mão contra o ungido do Senhor e permanecer inocente?”. Depois o mesmo Abisai quis exterminar a alguém que injuriava ao próprio Davi, que também era ungido de Deus. Aí Davi de novo o refreia dizendo: “Até meu filho, sangue do meu sangue, procura matar-me. Quanto mais este benjamita! Deixem-no em paz!…” (II Sm 16.11).
Comparando os dois episódios citados parece incoerência. Analisando um episódio de cada vez, vemos que não é. E, se formos mais fundo, analisando a vida de Davi como um todo, também temos que dar razão a ele. Ou será que não? Esses “homens espirituais” são mesmo difíceis de entender!
De fato, Absalão, procurou matar seu pai com fúria igual à que houve outrora no maior inimigo de Davi. Logo, Simei, pertencente à tribo do mesmo Saul, tinha todo o direito de odiar e perseguir a Davi. Mas se pararmos nossa análise por aqui. O que nos deixa aliviados é a observação de que Davi não foi uma pessoa que recebeu apenas ódio de seus contemporâneos. Ele recebeu também, o amor de muita gente, inclusive de gente que tinha tudo para odiá-lo. Recebeu ódios inesperados, mas recebeu, também, amores inesperados.
No episódio de sua fuga para escapar da morte decretada por seu próprio filho, Davi tinha ao seu lado “seiscentos giteus que o acompanhavam desde Gate” (II Sm 15.16). Um desses giteus era Itaí, homem que hipotecou lealdade absoluta a Davi naquela hora tão crítica de sua vida (versos 19 a 22). Sabe quem eram os giteus? Pura e simplesmente um subgrupo de filisteus. E sabe o que mais? Golias, o mais famoso adversário de Davi era giteu (veja I Sm 17.4).
Várias pessoas ajudaram a Davi, quando ele ainda era um fugitivo, no tempo em que Saul o caçoava pelos montes, inclusive alguns homens da própria tribo de Benjamin, a tribo a que pertencia Saul (I Cr 12.16). Mais tarde, ITai, um membro dessa tribo veio a ser um dos trinta maiores guerreiros do rei Davi (II Sm 23.29). Entre esses trinta também está incluído o Zeleque, o amonita (II Sm 23.37). Detalhe: os amonitas também eram dos maiores inimigos de Davi (II Sm 8.12).
Satanás induz aqueles que nos deviam amar a nos odiar. Porém, está escrito em Pv 16.7, que “ao homem bom Deus faz que até seus inimigos tenham paz com ele”. E, sabe, a doçura do amor de quem nos devia odiar supera a amargura provocada pelos ingratos.
Se você vive triste por não receber o amor de quem você esperava ser amado, observe a vida de Davi, veja como Deus fez com ele e alegre-se: com toda certeza você está sendo amado e ajudado por pessoas de quem só poderia esperar oposição.
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