Brasília, 26 de julho de 2009.
O livro de Jó tem 42 capítulos. O último deles é um dos menores de todo o livro (só os capítulos 2, 17, 25, 26 e o 35 são menores; o 23 tem o mesmo número de versículos). Pois bem, o capítulo que encerra o livro, apesar de tão pequeno, contém surpresas enormes. A primeira delas está logo no começo do capítulo: Jó, um homem de vida tão íntegra que o próprio Deus falava bem dele, declara que até aquele momento não possuía um conhecimento adequado de seu Criador. Outra surpresa: Deus, que no capítulo anterior acabara de dar um bom “puxão de orelhas”em Jó, repreende a Elifaz porque ele e mais dois companheiros seus não se comportaram muito bem quando tentaram ajudar Jó durante sua provação. E tem mais: Deus ordena àqueles homens que vão a casa de Jó para que este orasse por eles! Veja só, eles haviam maltratado a Jó de maneira cruel e na hora em que este mais necessitava do apoio dos seus amigos. E agora Deus tem certeza de que Jó o fará. Deus diz: “…e o meu servo Jó orava por vós…” (verso 8). Agora imagine o quadro: um homem que perdera todos os seus bens recentemente, vira seus dez filhos serem enterrados no mesmo dia e que, para piorar as coisas, estava coberto de feridas em todo o corpo, orando por gente sadia com dinheiro no bolso e que o havia agredido com palavras muito duras! Surpreendentemente, Jó ora por aqueles homens. Bem, talvez agora não seja mais surpresa saber que Deus ouviu a oração de Jó e abençoou àqueles homens. O final do verso 9 diz que “…e o Senhor aceitou a face de Jó”, ou seja, atendeu a oração que fez em favor dos seus amigos.
Agora vem outra coisa que nos surpreende ao mesmo tempo em que nos ensina coisas muito importantes: “E o Senhor virou o cativeiro de Jó quando orava pelos seus amigos…” (verso 10). Então, a bênção de Jó estava condicionada à sua oração em favor dos seus atrapalhados amigos. Se ele não orasse morreria na miséria! E não era o caso de seus amigos orarem por ele, embora fosse ele quem mais precisava. Ele, que estava pobre, pobre, pobre, de marré, marré, marré, e que tinha de orar por quem, aparentemente, era bem menos necessitado que ele. Coisas de Deus!
Eu creio que a surpresa que eu mencionei contida no verso 5 (“com o ouvir de meus ouvidos, ouvi, mas agora te veem os meus olhos”) não apenas dá início à série, mas é a chave para que se possa entendê-la e ao próprio livro como um todo.
Deus permitiu todo o sofrimento que veio sobre seu servo Jó para refutar certa “lógica” expressa pelas palavras de satanás: “Porventura teme Jó a Deus debalde? Porventura não o cercaste tu de bens a ele, e a sua casa, e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste e o seu gado está aumentando na terra. Mas estende a tua mão, e toca-lhe em tudo o que tem, e verás se não blasfema de ti na tua face!” (capítulo 1º, versos 9 a 11).
A “lógica” de satanás tem os seguintes ingredientes: 1º Deus é incapaz de inspirar amor em quem quer que seja: ele compra a lealdade de quem lhe é fiel; 2º Jó não passa de um interesseiro: ele é fiel a Deus, mas é só para obter benefícios materiais; 3º Deus não é capaz de amar a quem comete falhas: enquanto a pessoa “anda na linha”m direitinho, pode contar com suas bênçãos; mas ai de quem cometer falhas! (os amigos de Jó, em consequência do pouco conhecimento que possuíam a respeito de Deus, adotam essa lógica e insistem nela quando tentar ajudar Jó a superar seus sofrimentos).
No ponto em que Jó passa a conhecer a Deus com mais perfeição, ele entende que Ele é capaz de amar e perdoar aos que erram (“por isso me abomino e me arrependo no pó e na cinza, diz em 42:6”). Jó insiste em manter sua amizade com Deus, apesar de ainda estar em situação extremamente calamitosa. Deus conta com Jó para manifestar sua misericórdia até com Elifaz, Bildade e Zofar. Aí, pelo menos três coisas estão provadas: Deus é capaz de inspirar amor e lealdade, independentemente de bens materiais que possa oferecer aos seus amigos; Deus é capaz de amar as pessoas humanas, mesmo quando elas cometem falhas; por tudo o que Deus é, inclusive misericordioso, Jó e milhões e milhões de pessoas foram e são capazes de amá-lo com toda a alma e com todo o entendimento. A oração de Jó por seus amigos “materializa” tudo isso.
Meditemos mais no conteúdo do precioso livro de Jó para que nossas orações sejam menos egoístas, menos materialistas e mais cheias da revelação do caráter do nosso Deus! Amém.
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