Brasília, 6 de junho de 2004.
Certa vez Jesus afirmou que seus seguidores têm que comer sua carne e beber o seu sangue. E foi muito enfático. Ele chegou mesmo a dizer: “Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos” (João 6.53). Sabe o que aconteceu? “Desde então muitos dos discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele” (João 6.66).
Foi muito difícil. As pessoas pensaram que Jesus estava se expressando de maneira literal e, em consequência disso, não podiam aceitar o que Jesus estava dizendo. Comer carne humana?
Hoje em dia já não está tão difícil aceitar a ideia de comer a carne de Jesus, uma vez que seu corpo não é mais semelhante ao nosso. É mais aceitável comer o corpo de Jesus “tal como está no céu”, como se diz. Porém, é importante lembrar de que, ao enunciar sua doutrina, nosso Senhor não estava no céu, portanto estava num corpo semelhante ao nosso.
O discurso de Jesus, contido em João capítulo 6 é muito profundo e precisa ser recebido com a máxima atenção. Foi a precipitação que fez com que muitas pessoas saíssem da presença do mestre dos mestres. Aquela gente não teve a humildade de pedir explicações. Criticaram o discurso e foram embora. Se tivessem permanecido um pouquinho mais, ainda que sentindo dificuldade para entender o que estavam ouvindo, teriam alcançado os esclarecimentos que o Mestre deu logo em seguida. Ouça só as palavras de Jesus contidas no verso 63: “O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita, as palavras que eu vos disse são espírito e vida”. Observe o detalhe: “A carne para nada aproveita”.
Aqui há, pelo menos, três fatores básicos a considerar. O primeiro deles é que comer a carne de Jesus não é uma questão meramente física. Se tentarmos reduzir a coisa a simplesmente comer carne, não vamos chegar a absolutamente nada. “A carne para nada aproveita” foi o próprio Jesus quem afirmou, no mesmo contexto do discurso que causou tanta polêmica.
O segundo fator importante é: a questão tem sim, algo a ver com a nossa vida física. Jesus usou os verbos “comer” e “beber” verbos que têm a ver com a assimilação pelo corpo daquilo que é ingerido. Note-se, também, que a situação toda foi gerada pelo milagre da multiplicação dos pães e peixes. Depois se passou a falar do maná que os israelitas comeram no deserto. E, falando em comida, Jesus incluiu-se no cardápio. Repetindo: a doutrina ali enunciada tem a ver com a vida física, mas não apenas com ela.
Vamos apresentar o terceiro fator básico para, depois, relacioná-lo aos dois primeiros: no verso 54 Jesus diz que, em decorrência de comermos sua carne e bebermos o seu sangue, temos vida eterna; já no verso 63 Ele afirma: “As palavras que eu vos disse são espírito e vida”. Conclusão: temos que assimilar as palavras de Jesus na área física do nosso ser, para termos a verdadeira vida.
Jesus é o Verbo de Deus que se fez carne, ele encarnou a vontade de Deus neste mundo. Nós também temos um corpo que deveria estar a serviço da vontade de Deus, mas isso não tem acontecido. As palavras de Jesus nos resgatam. Se nós as ouvirmos e as cumprirmos, através do corpo físico, teremos vida eterna, vida de máxima qualidade. Veja bem: Jesus é a Palavra encarnada. Identificarmo-nos, inteiramente com Jesus é viver fisicamente suas palavras, é encarnar a Palavra Encarnada.
Não basta admirar o Evangelho: é preciso vivê-lo. Não basta elogiar o Evangelho: é preciso praticá-lo. Não basta ter a intenção de viver o Evangelho: é necessário encarná-lo já. De nada adiantaria comer a carne de Jesus e não seguir-lhe os passos. Por isso, façamos o que Jesus nos ordena: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou” (João 6.27). Amém.
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